Solidariedade ajuda brasileiros a superar as dificuldades impostas pela pandemia

Em Salvador, empresário arrecada doações que viram marmitas. Uma maneira de manter o próprio negócio e ainda matar a fome de quem vive nas ruas.

A solidariedade está ajudando brasileiros a superar as dificuldades impostas pela pandemia.

Um apelo emocionado corre as ruas da comunidade do Calabar, em Salvador, e não demora muito para ajuda chegar. “Ao partilhar o que temos, um pouco do que somos, nós recebemos mais do que damos, a verdade é essa”, diz o páraco da Igreja do Alto das Pombas, Adilson Santos.

Tudo que chega vai para o Mercadinho Solidário, ao lado da rádio, e funciona assim: quem pode ajudar doa alimentos e quem precisa pode pegar sem pagar nada.

“Quando a gente vê as famílias chegando aqui, principalmente com os filhos, as mães agradecendo porque vai ter um arroz, um açúcar, um café, o sentimento é de gratidão, porque eu já passei fome, eu sei o que é isso”, conta o radialista Jonatas de Jesus.

Desempregado há 11 meses, André Guimarães não viu outra alternativa: “Estou com um filho de quatro meses. Eu e minha esposa estamos parados em casa, necessitando de ajuda.”

A iniciativa não é a única. A solidariedade se espalha por Salvador. Um empresário arrecada doações que viram, em média, 50 marmitas por dia. Uma maneira de manter o próprio negócio e ainda matar a fome de quem vive nas ruas.

“Como as pessoas estão me ajudando a manter a empresa aberta, a manter os funcionários registrados, sem precisar demissões, sem precisar estar atrasando contas, é uma forma que eu posso retribuir com carinho e amor. É fazer isso, doar para as pessoas que precisam”, diz Ueslei Carvalho, dono de restaurante.

Em um outro bairro da capital baiana, é o Bike Favela que tem ajudado muita gente. Um projeto que começou com o conserto de bicicletas para uso da própria comunidade e hoje é ferramenta de trabalho para comerciantes de toda a região.

A ideia surgiu com dois amigos durante a pandemia. “As bikes são emprestadas aos comerciantes da própria região, da comunidade. Eles utilizam as bicicletas e ficam responsáveis pela manutenção. Eles não pagam nada. E a gente também empresta às pessoas que ainda querem trabalhar entregando produtos desses próprios comerciantes”, explica Ubirajara Azevedo, guarda civil municipal.

De duas bicicletas, hoje já são dez, conseguidas através de doações e até ajuda do poder público. E assim, João passou a trabalhar como entregador. Sandro, dono de uma lanchonete, também incrementou o negócio. Economia girando a favor da própria comunidade.

“Nossa maior realização é ver as pessoas voltando em casa com o pão de cada dia e feliz tendo seu trabalho”, diz Ubirajara Azevedo.

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