sexta-feira, setembro 17, 2021
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Especial – Retrospectiva sobre Flamengo a vitória sobre o Liverpool em 1981 em Tóquio, na era Zico

Craque. Em Tóquio, Zico posa ao lado do Toyota que recebeu como melhor jogador da final do Mundial de Clubes Sebastião Marinho 13/12/1981 / Agência O Globo

Em Portugal, favor à torcida do Flamengo racha Braga

Clube em que Jorge Jesus obteve seu primeiro sucesso como técnico protesta contra cessão da Praça do Município para evento com telão bancado pela prefeitura
Torcida rubro-negra da Fla-Portugal Foto: Divulgação
Torcida rubro-negra da Fla-Portugal Foto: Divulgação
LISBOA – A paixão de uma nação além das fronteiras do Brasil mobilizou as embaixadas do Flamengo em Lisboa e no Porto, ambas com lotações esgotadas em seus eventos para a torcida assistir à final. E também causou um racha entre a prefeitura de Braga e o clube local, o Sporting de Braga. Indignada com a cessão de uma praça pública e um telão para os torcedores assistirem à partida em Lima, que acontece quase na mesma hora do jogo do time, em casa, com o Gil Vicente, a diretoria reclamou. São estes os movimentos na véspera do clímax do culto a Jorge Jesus e ao rubro-negro em terras portuguesas.
A população brasileira residente em Braga aumentou 137,6% em dez anos e chegou a mais de seis mil pessoas. O prefeito, Ricardo Reis, diz que o “brasileiro” virou língua oficial. Neste contexto, cresceu a torcida do Flamengo na cidade e o consulado oficial do clube, o Fla-Braga, requisitou a Praça do Município para receber os mais de mil torcedores esperados. Ao ceder o espaço nobre, a prefeitura virou alvo do Sporting de Braga, nono colocado do Campeonato Português.

“Foi com surpresa que o SC Braga recebeu a notícia de que a prefeitura colaborou na organização e cedeu a Praça do Município. Percebendo ainda com maior estranheza que o evento mereceu divulgação e apelos à participação nas redes sociais do prefeito”, disse a diretoria em comunicado.

 

AeroFla virou marca da torcida rubro-negra Foto: Gilvan de Souza / FlamengoAeroFla virou marca da torcida rubro-negra Foto: Gilvan de Souza / Flamengo

Meu estudo favorito de todos os tempos relacionado a futebol, com boa vantagem, veio da revista brasileira “Mundo Estranho” poucas semanas antes do início de 2014.

Mansur: Torcida do Flamengo se vê às portas da terra prometida

Pela primeira vez, segundo a revista, era possível responder uma questão espinhosa: qual time tem a maior torcida do futebol mundial? Você vai concordar que essa, sim, é a sorte de pesquisa que realmente importa, o tipo de material que acadêmicos e estatísticos de todo o mundo deveriam dedicar todo seu tempo para entender.

Afinal, ela tem consequências no mundo real: Manchester United, para dar um exemplo, menciona regularmente em teleconferências com investidores quantos torcedores tem. A última estimativa, feita pela agência Kantar, era de 1,1 bilhão de pessoas. Ou seja, uma de cada sete pessoas ao redor do planeta tenta se convencer de que o sétimo lugar da Premier League não é tão mal assim.

Dessa forma, o estudo da “Mundo Estranho” tinha o potencial de ser extremamente importante. A tarefa foi entregue a empresas de pesquisas em dez países, da Holanda ao Japão, com dados analíticos a fim de prover uma resposta definitiva.

A conclusão foi, digamos, um pouco surpreendente. Se você achava que o United estaria bem na parada, com um sétimo da população mundial ligadaça nas aventuras do rebelde Ashley Young, a verdade é que ele nem chegou no Top 10.

Nem o Barcelona. O Real Madrid ficou em nono, e a Juventus foi o mais bem colocado dos clubes europeus, mas mesmo a Velha Senhora, que afirma ter metade da Itália a seu lado, acabou em um modesto sexto lugar.

No topo da lista, segundo o estudo, estava o Flamengo, o gigante do Rio de Janeiro, logo à frente de dois mexicanos: o Chivas Guadalajara e o América. O Flamengo soma 32,6 milhões de torcedores em volta da Terra, segundo a revista.

Se isso soar esquisito, é preciso ao menos considerar os critérios da pesquisa. Por razões não muito bem explicadas, mas que soam bastante óbvias quando se pensa no assunto, a Mundo Estranho decidiu que “fãs chineses que apoiam o Manchester United” não contam.

Talvez não seja muito científico, mas a mensagem é digna de consideração. O futebol se tornou tão eurocêntrico nas últimas duas décadas que é fácil pensar nos clubes brasileiros como meros fornecedores: linhas de produção de talentos, mineiradores que entregam estrelas em potencial (e volantes de contenção) à elite da Premier League e de La Liga.

É fácil se esquercer de que  tais clubes são instituições históricas e grandiosas que até recentemente eram capazes de emparelhar com a maioria dos clubes europeus em glamour, prestígio e até em riqueza. O Flamengo não é o clube mais rico do Brasil nem o mais bem sucedido, mas é, de acordo com a Mundo Estranho, aquele que provavelmente é o mais amado.

É por isso que milhares de torcedores rubro-negros se reuniram no aeroporto internacional do Rio nesta semana a fim de se despedirem do time que partiu rumo a Lima, no Peru, para a final da Libertadores. é por isso que todos os seus 32,6 milhões de torcedores vão sintonizar suas TVs para ver se o Flamengo pode superar o River Plate, atual campeão da América do Sul, e levantar o troféu pela primeira vez desde 1981.

Viria a calhar se assim acontecesse. Esta é a primeira vez que a Libertadores se decide numa partida única, como na Champions League – tradicionalmente, eram partidas de ida e volta. A Conmebol tenta estabelecer sua competição como uma espécie de rival do torneio europeu, mais conhecido e mais rico.

Segundo me disse no ano passado o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, trata-se de uma tentativa de marcar a autenticidade sul-americana com uma organização europeia. Também dessa forma pensa o Flamengo. Seu técnico é português Jorge Jesus, ex-Benfica e Sporting Lisboa; a rápida transformação de uma equipe esforçada se deve, em grande parte, pela introdução de ideias táticas europeias e inovações no centro de treinamento. Ele se tornaria o segundo técnico europeu a conquistar a Libertadores, depois do croata Mirko Jozic.

Bem como seus pares e rivais no Brasil, o Flamengo busca uma forma de estancar a hemorragia de talento sugada pela Europa. Se não for possível encurtar o abismo, como diz Dominguez, ao menos evita que ele se abra. Assim como o Palmeiras, o São Paulo e outros, o Flamengo ambiciona se tornar o primeiro superclube fora da Europa.

Sua popularidade é um bom começo. Adotar algumas práticas da elite europeia, idem. Mas não se pode parar na superfície. Muito do trabalho tem de ser feito fora dos holofotes. Como evidenciou a morte de dez jogadores da base do Flamengo em 8 de fevereiro deste ano, os clubes brasileiros nem sempre priorizaram a saúde e a segurança de seus jovens talentos. Se o Flamengo e seus rivais quiserem ser um ponto de destino, em vez de uma simples fonte de jogadores, precisa não apenas pensar nas recompensas, mas também nas suas responsabilidades.

Em foco: Batalha do Fla na Libertadores

Flamengo da era Zico é campeão do mundo ao vencer Liverpool em 1981

Em Tóquio, Galinho foi eleito melhor jogador na vitória por 3 a 0 (dois gols de Nunes e um de Adílio) e ganhou um carro. Carpegiani, que comandou o time, volta em 2018

Em 13 de dezembro de 1981, a nação rubro-negra conquistou o mundo. As armas foram o talento de Zico, a habilidade de Adílio e a pontaria de Nunes. O adversário na final do Mundial Interclubes foi o Liverpool, que caiu por 3 a 0. Poucas vezes a superioridade de uma equipe sobre a outra numa decisão foi tão grande.

Nunes fez dois gols (aos 13 e 41 minutos do primeiro tempo) e Adílio marcou outro, aos 34 minutos também da etapa inicial. O título rubro-negro foi resultado de um processo iniciado no final dos anos 70 quando o clube, com um time formado por ex-juniores e alguns jogadores vindos de fora, acumulou cinco títulos estaduais.

Ao ser campeão brasileiro brasileiro em 1980, derrotando o Atlético Mineiro, o Flamengo assegurou o direito de disputar a Taça Libertadores em 1981. Conquistou o título após uma série de partidas com o Cobreloa, do Chile.

Antes da decisão em Tóquio, a equipe treinada por Paulo César Carpegiani conseguiu ainda o título estadual numa desgastante disputa de três jogos com o Vasco. Em 8 de janeiro de 2018, o Flamengo anunciou a contratação de Carpegiani, após a saída de Reinaldo Rueda. É a terceira passagem do técnico pelo clube: a primeira foi entre 1981 e 1983, e a segunda, em 2000. Foram 83 vitórias, 31 empates e 24 derrotas. Como jogador, o gaúcho de Erechim chegou ao clube em 1977 e conquistou três títulos cariocas (1978, 1979 e o especial de 1979) e o Brasileiro de 1980. Em 223 partidas, foram 136 vitórias e 57 empates, com 12 gols marcados.

O Liverpool tinha o atacante Dalglish e o apoiador Souness, da seleção da Escócia; Neal e Johnson, da seleção inglesa. Mas o campeão europeu foi dominado durante todo o jogo pelo Flamengo, que chegou ao placar final de 3 a 0 já no primeiro tempo.

Na decisão, embora não tenha marcado, Zico, que nasceu em 3 de março de 1953, no Rio, foi o destaque, participando dos três. No primeiro, lançou Nunes. No segundo, bateu uma falta, o goleiro largou para Adílio completar. No terceiro, o maior jogador da história do Flamengo deu novo passe a Nunes.

Ao fim da partida, Zico recebeu um carro da Toyota por ter sido o melhor jogador da final do Mundial de Clubes. A equipe campeã: Raul, Leandro, Marinho, Moser e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico.

Nas ruas do Rio, a consagração do Flamengo foi marcada por uma festa inesquecível. Quando o juiz encerrou o jogo, iniciado à meia-noite de um sábado (dia 12 de dezembro, no Brasil), a torcida foi ao delírio. No Largo da Lapa, onde a Riotur instalou um palco, uma multidão acompanhou a partida e explodiu de alegria de madrugada.

Segundo reportagem do GLOBO publicada na edição do dia 14 de dezembro, milhares de rubro-negros, eufóricos, puxando o hino do clube e com bandeiras, saíram da Lapa seguindo um trio elétrico pelas ruas do Centro até a Zona Sul.

O carnaval na madrugada, que passou pelas orlas dos bairros da Glória, Flamengo, Botafogo, Copacabana, Ipanema e Leblon, só terminou de manhã, quando a multidão se dispersou. A festa da torcida continuou durante todo o domingo. Grupos comemoravam desfilando com a camisa do clube, em animadas batucadas da Zona Norte à Zona Sul e também no Centro, conforme relatou o jornal.

Em Tóquio, o time do Flamengo comemorou o título mundial improvisando uma batucada no hotel. E a delegação se preparava para tirar férias… viajando para o Havaí.

Era Zico. Comandada pelo técnico Carpegiani (à esquerda, em pé), a equipe do Flamengo que conquistou o Mundial de Clubes, em Tóquio, vencendo o Liverpool por 3 a 0 (dois gols de Nunes e um de Adílio)

Era Zico. Comandada pelo técnico Carpegiani (à esquerda, em pé), a equipe do Flamengo que conquistou o Mundial de Clubes, em Tóquio, vencendo o Liverpool por 3 a 0 (dois gols de Nunes e um de Adílio) Sebastião Marinho 11/12/1981 / Agência O Globo

Craque. Em Tóquio, Zico posa ao lado do Toyota que recebeu como melhor jogador da final do Mundial de Clubes

Craque. Em Tóquio, Zico posa ao lado do Toyota que recebeu como melhor jogador da final do Mundial de Clubes Sebastião Marinho 13/12/1981 / Agência O Globo

Leia mais: https://acervo.oglobo.globo.com/em-destaque/flamengo-da-era-zico-campeao-do-mundo-ao-vencer-liverpool-em-1981-1-9703290#ixzz665kHWGHR
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