Morre pai de homem que se acorrentou em frente a hospital no Acre cobrando cateterismo

Luiz Maia de Souza, de 74 anos, não resistiu e morreu depois de ter um segundo infarto, neste sábado (23), no Hospital do Idoso, em Rio Branco. O filho dele, o autônomo Francisco Cavalcante de Souza, de 48 anos, em um ato de desespero, chegou a se acorrentar, no último dia 6 de março, em frente ao Hospital de Urgência de Emergência de Rio Branco (Huerb) em protesto para que o pai fizesse um cateterismo.

A morte do idoso foi confirmada pela mulher de Souza, neste domingo (24), Maria Cláudia. O enterro do idoso ocorreu neste domingo, no Cemitério São João Batista, em Rio Branco.

Ao G1, a Secretaria de Saúde do Estado (Sesacre) explicou, por meio de nota, que o governo do Estado do Acre, lamenta a morte do paciente e esclarece que ele estava na agenda para realizar o procedimento na terça.

“Os procedimentos foram retomados semana passada, sendo que mesmo os internados tendo prioridade, os pacientes que estão em UTIs devem ser os primeiros da referida lista de prioridades, assim como também são os primeiros aqueles internados na Unidade de Dor Torácica. A Sesacre ressalta ainda que os procedimentos foram paralisados pela falta de pagamento do governo anterior”.

O documento diz ainda que, desde que assumiu, “a atual gestão da Sesacre vem horando com seus compromissos”.

Souza se acorrentou em frente ao hospital para pedir que o procedimento de cateterismo do pai fosse feito. Segundo ele, o quadro de saúde do idoso estava se agravando por conta da espera.

“Para ele ser transferido para o Hospital do Idoso, meu marido teve que se acorrentar na frente do hospital. Foi para lá com a promessa de que iria passar por um tratamento para poder fazer o cateterismo. Ainda foi para o Hospital Santa Juliana fazer a cirurgia, mas não tinham comunicado ao hospital e ele teve que voltar para o do idoso. Depois, não marcaram mais e ele teve o segundo infarto”, contou Maria.

Francisco Cavalcante se acorrentou em frente ao Huerb para pedir que cateterismo do pai fosse feito — Foto: Alcinete Gadelha/G1 Francisco Cavalcante se acorrentou em frente ao Huerb para pedir que cateterismo do pai fosse feito — Foto: Alcinete Gadelha/G1
Francisco Cavalcante se acorrentou em frente ao Huerb para pedir que cateterismo do pai fosse feito — Foto: Alcinete Gadelha/G1

Negociação
Em reportagem publicada no último dia 6 de março, o diretor do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb), Welber de Lima, informou que a empresa que presta serviço para o estado estava sem receber há sete meses.

Por causa disso, o procedimento foi suspenso em dezembro de 2018. Segundo ele, com a troca de governo, o serviço foi reaberto, mas, devido a revisão que o governo estava fazendo em relação aos contratos da gestão anterior, o procedimento tornou a ser suspenso.

“O secretário está renegociando os contratos para poder entrar no acordo para pagar, para solucionar e ter a liberação de atendimentos”, informou Lima.

Na época, o diretor do Huerb disse que havia conversado com dono da empresa e que iria ter uma solução. Lima também chegou a culpar o governo anterior da situação.

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