Falta de conhecimento e despreparo socioemocional afetaram desempenho de brasileiros em prova internacional

Pesquisa do Insper com detalhes sobre como cada estudante respondeu às perguntas do Pisa 2015 revela que falta de contato com a prova pelo computador foi outro fator que afetou o resultado do Brasil. Alunos brasileiros têm dificuldades para fazer provas
Uma pesquisa do Insper revelou dados preocupantes sobre o desempenho dos alunos brasileiros em provas. O estudo foi feito com base no Pisa, uma avaliação realizada com estudantes de vários países de 15 e 16 anos de idade. A falta de conhecimento, porém, não é a única responsável pelos desempenhos ruins do país: as emoções também representam um obstáculo, principalmente os problemas de concentração e motivação dos estudantes.
Durante seis meses, os pesquisadores analisaram o desempenho dos estudantes brasileiros no Pisa aplicado em 2015 – o exame é realizado a cada três anos, e o resultado da edição de 2018 só será divulgado no ano que vem.
Entre 70 países, o Brasil ficou na 63ª posição em matemática, na 58ª colocação em leitura e na 65ª posição em ciências.
Prova pelo computador
Em 2015, pela primeira vez, o Pisa foi aplicado totalmente pelo computador, em duas etapas. Os alunos respondem a uma questão por vez em telas separadas e, depois de passar para a pergunta seguinte, não é possível voltar à tela anterior.
Observando o computador dos alunos brasileiros nesse percurso, os pesquisadores do Insper apontaram que eles têm uma tendência maior do que os estrangeiros a errar a primeira pergunta. Isso acaba provocando nervosismo e levando os brasileiros a levar mais tempo para fazer o exame.
Além disso, 61% dos alunos brasileiros não conseguiram chegar à última questão na primeira fase do Pisa. Na Colômbia, essa porcentagem foi de 18%, enquanto na Finlândia apenas 6% dos estudantes deixaram a prova incompleta.
Falta de hábito e de motivação
“Acho que são vários impactos. Em primeiro lugar, a falta de conhecimento básico para responder às questões”, afirmou à GloboNews Naercio Menezes, doutor em economia e coordenador do Centro de Políticas Públicas (CPP) do Insper.
“Em segundo, é esse problema com a prova do Pisa, que é diferente de outras provas aplicadas no Brasil. Em terceiro lugar, a falta de motivação do aluno brasileiro para fazer a prova até o fim. Acho que é um fato importante, é o que a gente chama de habilidades socioemocionais.”

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